Atletismo Paralímpicos e superação de Alan Fonteles


Crédito da foto: Márcio Rodrigues/Mpix/Cpb

O atletismo foi um dos oito esportes a figurar nos primeiros Jogos Paralímpicos, realizados no ano de 1960 em Roma, quando os atletas competiram em um total de 25 eventos valendo medalha. Desde então, fez parte de todas as edições e, atualmente, é a maior disciplina do programa Paraolímpico. Nos Jogos Rio 2016, 1.100 atletas irão competir em 177 eventos de pista, campo e rua ao longo de 11 dias. Atualmente o atletismo é praticado por pessoas com deficiência em mais de 120 países em todo o mundo.

O programa é praticamente o mesmo dos Jogos Olímpicos. Na pista, os atletas correm distâncias que variam de 100 a 5.000 metros. No campo, há disputas de saltos, lançamentos e arremessos. Há ainda a maratona, que acontecerá nas ruas do Rio.

Existem provas para deficientes visuais, intelectuais e físicos cada uma delas com classificações funcionais para garantir a igualdade entre competidores. Por conta da classificação dos atletas, o nome das provas é seguido de um código (letra + número). Numa competição de pista, a letra usada é o T (do inglês track). A letra F é usada para as provas de campo ou salto (do inglês field). A numeração indica o grau de deficiência do esportista:


• 11 a 13 – deficientes visuais

• 20 – deficientes intelectuais • 31 a 34 – paralisia cerebral (cadeirantes)

• 35 a 38 – paralisia cerebral (andantes) • 41 a 47 – amputados e outros (les autres)

• 51 a 57 – competem em cadeiras de rodas (sequelas de poliomielite, lesões musculares e amputações)

Nos Jogos Paralímpicos Londres 2012, o Brasil teve a sua melhor participação: com sete medalhas de ouro, oito de prata e três de bronze, sendo 18 no total, o país ficou em sétimo lugar no quadro de medalhas do atletismo. Apenas a natação (com nove ouros, quatro pratas e um bronze) trouxe mais medalhas para o país em 2012. Veja aqui

O destaque

Alan Fonteles de Marabá, Pará, é um atleta paraolímpico brasileiro, campeão paralímpico e mundial de atletismo. Amputado das duas pernas abaixo do joelho desde os 21 dias de vida, por conta de uma infecção, a qual não permitiu que suas pernas se desenvolvessem completamente, é especializado em provas de velocidade, geralmente competindo em eventos da classe T43.

Sua infância foi natural, por ter perdido as duas pernas chegar para alguém que tem as duas pernas era bem tranquilo. A infância era bem tranquila, fazia de tudo.

Preconceito na escola (no primeiro dia) ele era o centro das atenções por não ter as duas pernas mas depois nem ele se lembrava disso. Mas os pais passaram a segurança de que não é porque não tem as duas pernas que ele não é capaz.

As amizades dele, todos da rua onde ele morava fez atletismo (e eles iam juntos para o treino) e ele era o único deficiente. Isso ficou marcante na historia dele porque ele não ia sozinha e sim em equipe.

Alan Fonteles começou a manifestar o interesse pelo esporte aos 8 anos de idade. E logo seus anos de treinamento e dedicação renderam frutos e medalhas. Com apenas 13 anos, em 2005, já conquistava o título de Campeão Brasileiro nos 100m. Conquista que voltou a acontecer dois anos depois. Já em 2008, Alan, com 16 anos já pintava como a maior revelação do atletismo nacional. Após conquistar o Campeonato Mundial Juvenil, em 2008, Alan Fonteles disputou pela primeira vez os jogos paralímpicos, Jogos Paralímpicos de Verão de 2008 em Pequim, e o resultado foi uma medalha de prata no revezamento 4x100.

Começou a ganhar em 2005 com medalha de ouro em Campeonato NorteNordeste e duas medalhas em prova de velocidade de 100 e 200 metros conseguindo derrubar o maior mito Oscar.

Já nos Jogos Paralímpicos de Verão de 2012, em Londres, veio o reconhecimento mundial. Alan ganhou o ouro nos 200m T44, superando o franco favorito, Oscar Pistorius.Desde então, o brasileiro se consolidou como o principal velocista paraolímpico.

Em 21 de julho de 2013, durante o Mundial de Atletismo Paralímpico, Alan conquistou o ouro da prova de 200 metros da classe T43 quebrando o recorde mundial, que era de Oscar Pistorius, o único atleta da história a competir em igualdade entre os ditos normais e paralímpicos. Já em 2015, Alan conquistou a medalha de ouro nos 200m e prata nos 100m, no Parapan de Toronto, realizado em agosto. Em outubro, no Mundial de Doha, no Catar, Alan conquistou a prata nos 200m e o bronze nos 100m. Veja história de Alan e medalhas conquistadas por ele aqui

Alan nos 200 metros fez 20,66 centésimos que é Record mundial para atletas amputados. No último Troféu Brasil os cinco primeiros maiores corredores do país da prova de 200 m são:

Corredores Tempo

Bruno Tenório 20s33

Jorge Vides 20s62

Jefferson Lucindo 20s63

Alan Fonteles 20s66

Aldemir Junior 20s69

Pedro Luiz de Oliveira 20s90

E ele não ficaria longe dos maiores corredores do mundo. Com esses 20s66 Alan ficaria entre os 25 atletas nas Olimpíadas de Londres e deixaria para trás 30 corredores SEM deficiência.

Alan melhorou o record dos 200 m para 0.64 centésimos onde pertencia ao sul africano Oscar Pistorius de 21s33 e Alan 20s66.

E para os corredores de pernas “normais” para baixar os mesmos 0.64 centésimos demorou 41 anos.

As próteses são feitas com fibras de carbono e simulam o movimento humano. Elas envergam ao tocar ao chão, armazenam energia criada no impacto e depois retornam a posição original, liberando energia e empurrando corredor para frente.

De acordo com Irineu Loturco “é possível que os atletas corram tão bem quanto os atletas olímpicos num futuro tão próximo.”

Se a evolução dos atletas continuar nesse ritmo, em 2016 já podemos ver um campeão Paralimpíco com tempos melhores do que o campeão das Olimpíadas. Veja reportagem completa aqui Bom, 2016 chegou e agora é só ficar na torcida para que Alan consiga bater novo Record.

Agora digam-me, o que acharam dessa historia de superação ?

Deixem seus comentários !!!

Ana Bracarense PCD 24/08/2016

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